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{TEAM_LINK|18|Vitória SC}. Este é um dos grandes
temas de destaque no Mercado Flash desta
terça-feira, 20 de maio. É notícia também os
jogadores que vão regressar aos seus clubes,
depois de um período de empréstimo e outros a
terminar a carreira. No futebol internacional a
renovação de {PLAYER_LINK|1013243|Lamine Yamal}
começa a ganhar forma e
{PLAYER_LINK|479425|Fábio Silva} é desejado por
vários clubes da
{COMPETITION_LINK|11|Bundesliga}.
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| 11:58 - Ricardo Pereira e o amor pela baliza que o levou da educação a levantar taças com Anselmi - SAPO.PT Do conforto de uma carreira estável como
educador e coordenador pedagógico à incerteza do
futebol internacional, o treinador de guarda-redes
Ricardo Pereira protagoniza uma história marcada
por coragem, persistência e paixão.
Atualmente no Al-Ain, dos Emirados Árabes Unidos,
o português de 51 anos percorreu um caminho
singular e desafiante, com passagens por sete
países, depois de decidir, já em adulto, mudar
radicalmente de vida.
“Despedi-me dois dias depois do nascimento da
minha filha. Tinha estabilidade, mas percebi que
não conseguia viver longe do jogo”, recorda, em
entrevista à agência Lusa o ex-educador de
infância.
Tudo começou com um “amor inexplicável pela
baliza”, mas o salto para o futebol profissional
implicou riscos consideráveis. Aos 37 anos, já
com duas filhas, Ricardo deixou a segurança do
mundo académico e partiu para um estágio não
remunerado no Benfica.
A partir daí, foi construindo um percurso em
crescendo, que o levou à Arábia Saudita,
Polónia, Inglaterra, Bélgica, Equador, Espanha
e, mais recentemente, aos Emirados Árabes Unidos.
“Durante os cursos no Algarve, cheguei a dormir
em tendas. Noutros momentos, metia a mochila às
costas e ia estagiar para o estrangeiro”, conta,
com naturalidade. A resiliência, admite, foi
herdada dos pais, peixeiros, que lhe transmitiram
desde cedo os valores do esforço, da humildade e
da dedicação.
Hoje, com estatuto reconhecido internacionalmente,
depois de ter passado por clubes como o Légia
Varsóvia, Nottingham Forest, Standard Liège ou
Valladolid, Ricardo Pereira acredita que a chave
do sucesso está na forma como conseguiu
equilibrar a adaptação cultural com
preservação da sua identidade técnica.
“Cada país tem os seus códigos, mas o foco é
sempre o ser humano. Tentei respeitar as raízes
culturais de cada lugar, adaptar o treino e criar
relações de confiança”, sublinha.
Essa filosofia permitiu-lhe colaborar com
treinadores como Ricardo Sá Pinto, Renato Paiva e
Martín Anselmi. Do primeiro não se esquece por
lhe ter aberto as portas do futebol profissional.
“Com ele aprendi o que é viver o jogo com
intensidade total, exigência máxima e um
compromisso absoluto com a organização,
estratégia e a paixão. Foi o primeiro a
acreditar em mim”, conta.
Do atual treinador do Botafogo, com quem privou
nos equatorianos do Independiente del Valle,
salienta a forma como lhe mostrou “perspetivas
interessantes ao nível da organização
defensiva, do detalhe e da metodologia”.
Com o atual treinador do FC Porto, com quem venceu
também no Independiente del Valle uma Taça
sul-americana e uma Supertaça sul-americana,
Ricardo Pereira recorda instantes que lhe ficaram
marcados na memória.
“O Martín Anselmi é um treinador jovem,
ambicioso, com quem partilhei momentos felizes e
conquistas importantes. Em jeito de brincadeira
costumo dizer que todas as taças que ele levantou
como treinador principal… foram ao lado de um
treinador de guarda-redes bem português. Tem
ideias interessantes e procura agora colocá-las
em prática neste seu novo desafio, no futebol
português que, como sabemos, tem treinadores
muito bem preparados do ponto de vista da
organização das suas equipas”, explicou.
No centro do seu trabalho está uma visão moderna
do papel do guarda-redes.
“Hoje, defender não chega. É preciso decidir,
interpretar, antecipar. O guarda-redes moderno é
mais inteligente e mais corajoso. Passámos de
treinar apenas voos e quedas para criar contextos
que exigem leitura e tomada de decisão”,
explica, realçando o papel dos treinadores
especializados nesta evolução. “Já não
treinamos apenas o corpo. Treinamos a cabeça para
lidar com o caos do jogo.”
Sobre a realidade portuguesa, Ricardo Pereira
considera que a seleção está bem servida na
baliza, com nomes como Diogo Costa, Rui Silva ou
José Sá, mas alerta para um problema estrutural.
“Há qualidade nas camadas jovens, mas falta dar
minutos. É urgente que jogadores como Francisco
Silva, Diego Callai ou Samuel Soares tenham
experiências competitivas reais. Precisamos de
criar contextos que os preparem e os exponham.
Isso passa por nós, treinadores, mas também por
quem decide”, atirou.
Apesar de estar fora do país há vários anos,
admite o desejo de regressar, com condições bem
definidas. “Voltar? Sim, com um projeto que me
permita potenciar os guarda-redes da equipa
principal e preparar os que vêm a seguir. E
gostava muito de ajudar os treinadores da
formação a terem percursos com progressão. No
fundo, trazer para Portugal o que tenho feito lá
fora”, confessou.
A vida internacional, com todos os seus desafios,
trouxe também sacrifícios, especialmente no
plano familiar.
“Nunca estivemos realmente separados. A minha
família está presente em tudo. Se conquistei
títulos, o meu maior troféu é o amor que
resiste à distância. Isso vale mais do que
qualquer vitória”, garantiu.
Entre os episódios mais marcantes da sua
carreira, destaca a passagem pelo Valladolid, onde
teve papel ativo na contratação do guarda-redes
brasileiro John Victor, na altura alvo de
críticas.
“Hoje ele é campeão da Libertadores e do
Brasileirão. Sempre acreditei nele. Nem sempre as
decisões são populares, mas o tempo tende a dar
razão quando agimos com critério. Fizemos boas
exibições e o John foi um profissional
exemplar”, referiu.
Sobre os jogadores que mais admira na posição
que sempre o fascinou, Ricardo recusa destacar
apenas um nome.
“Neuer, Ederson, Alisson, Ter Stegen, Sommer…
Todos interpretam o jogo de forma global. Jogam
para a equipa. São o que chamo de ‘jogadores de
equipa que por acaso jogam com as mãos'”,
brincou.
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